sábado, 20 de novembro de 2010

O processo


Viver em um novo lugar, em um novo mundo, uma nova cultura é uma mudança que exige preparação, atenção e disponibilidade para mudanças. Com certeza é uma experiência de enriquecimento na forma de ser, pensar e agir.

No meu caso em particular, parti sozinho rumo ao Canadá. Durante o processo de planejamento no Brasil um grande amigo (Gabriel Braga Santos) dividiu comigo os momento de pesquisa sobre cultura, escolha de agência de viagem, planejamento econômico, ansiedades e angustias (principalmente referente ao processo de visto). No final, ele acabou indo para Montreal e eu vim para Toronto. De certo modo, isto tem me ajudado no processo de desenvolvimento do inglês (uns dos meus objetivos por aqui) e no que tange ao autoconhecimento.

Estar sozinho implica em reiniciar a construção de uma nova rede social e profissional, mas não concordo com a idéia de que se volta à estaca zero. Cheguei aqui como toda uma bagagem de vida através de muitas escolhas realizadas e experiências que me ajudaram a ser a pessoa que sou hoje (com seus prós e contras), e é justamente este eu que descobro a cada dia.

Ser pessoa não implica que me tornei o que sou apenas através do que vivi, mas principalmente através do que eu decidi viver e da forma como compreendo o mundo. Obvservar o mundo desta forma me faz refletir diariamente sobre minhas atitutes e sobre a forma como reajo perante as situações da vida. Assim, culpabilizo menos  o outro pelas minhas falhas. Ou seja, me sinto implicado no processo da vida e não apenas uma vítima das circunstâncias.

Vim para o Canadá nos meus 28 anos. Portanto, isso pode ser um pouco diferente para alguns dos leitores, visto que muitos jovens decidem passar uma temporada por aqui. Para alguns esse processo é mais dificil pois envolve estar distante de amigos, familiares e muitas outras coisas. Alguns sentem saudades, outros menos (o que seria meu caso até agora). Mas sentir ou não saudade não pode ser considerado um índice indicativo de importância. Vivi 28 anos na mesma rua e desde novo sempre tive muita sede de novos conhecimentos e novas experiências.

Antes de mudar para esta temporada no Canadá, fui fazendo muitos testes comigo mesmo. Viajei para diferentes lugares e algumas vezes sozinho. Sabia que um dia essa temporada mais longa fora do país e longe das pessoas que tenho intimidade (família e amigos) iria chegar. Fiz a vida acontecer.

Para mim, o mais importante foi ter aproveitado a experiência de viver tudo o que podia ter vivido na minha cidade, no meu país e com as pessoas que eu gostaria de estar. O risco de sentir falta e ter a sensação de que algo está incompleto pode prender muitas pessoas a não aproveitarem claramente a experiência de viver em um local completamente diferente.

Muita coisa não será igual ao seu país, à sua cultura e à sua religão. Você sempre terá o seu país de origem e mesmo que tente esquecer o seu sotaque, o seu rosto, o seu jeito de ser e as outras pessoas te farão lembrar disso. Com todas as dificuldades do país que nasci tenho orgulho de ter nascido lá, de ter a família que tenho e de ter construído muita coisa positiva (pois as negativas sempre farão parte da vida, querendo a gente ou não). Pensar e sentir desta forma me fortalece a estar aqui pronto para aprender ainda mais.

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