Essa semana foi hiper corrida. No meu pacote de viagem que selecionei no Brasil peguei apenas um mês em casa de família. Tempo que imaginei ser suficiente para poder arranjar algum amigo para dividir apartamento. Digamos que esse processo não foi tão fácil como as pessoas tinham me falado enquanto eu ainda estava no Brasil.
Tenho feito muitos amigos por aqui, mas viver com alguém de outra cultura exige muita atenção na sua escolha. Alguns requisitos são fundamentais como: confiança, segurança e adaptação. Confiança e segurança são essenciais pois passo grande parte do meu dia fora de casa e estar em um ambiente de desconfiança é um estressor que pode gerar diversas outras dificuldades também no que tange à minha saúde pessoal e interpessoal. Sobre o quesito adaptação abranjo a idéia de cultura. Alguns países possuem culturas muito similares, mas em alguns casos são totalmente diferentes e no dia a dia isso faz grande diferença.
Acredito que mais importante que a cultura é o comportamento do próprio sujeito. Portanto, tenho prestado bastante atenção na personalidade das pessoas que pretendo dividir apartamento. Neste aspecto, meu amigo Ali (ver postagem sobre Skating) tem se mostrado um ótimo companheiro e corremos atrás de uma casa para nós e talvez algum outro amigo.
Além de ter que achar alguém com quem dividir as despesas, o ponto mais complicado que enfrentei foi o inglês. Falar inglês com pessoas conhecidas e cara a cara tem se tornado uma tarefa cada vez mais fácil, mas tentar se comunicar por telefone com outras pessoas e falar sobre assuntos técnicos não foi nada fácil.
Certo dia, eu e Ali estávamos tentando achar um endereço que tínhamos tomado nota. Já fazia mais de 40 minutos que estávamos andando pela rua em meio a neve e um gélido vento no rosto e nada de achar a casa. Certo momento paramos e fomos tomar um café. Ligamos para o sujeito novamente e acabamos por desistir do lugar, primeiro porque não conseguimos achar, segundo porque pensávamos que a casa era ainda mais distante e isso não estava em nossos planos.
Decidimos no restaurante ligar para alguns outros números e ai aconteceu uma história no mínimo bizarra. Um dos telefonemas que tinha dado não consegui entender o que o sujeito estava me dizendo, acredito que ele era árabe porque tinha um sotaque muito forte. Na terceira vez que perguntei o que ele tentava me dizer, o sujeito começou a gritar no telefone e aí é que não consegui entender nada. Desliguei a ligação e tava tão nervoso que comecei a contar em português a história para meu amigo turco. Ele olhava para mim com uma cara de interrogação e perguntava se eu estava falando inglês. A situação foi tão indignante que eu apenas repondia que sim e continuava a falar em português. Três minutos depois me dei conta da situação e a única coisa que nos restou foi rir da história por horas.
Meu tempo na homestay acabou e não consegui encontrar uma casa. Por sorte, meu amigo Aziz (árabe) me concedeu uns dias na casa dele enquanto achava meu lugar. Não poderia ficar mais por lá visto que sua esposa estaria chegando de viagem em algumas semanas. Agradeço imensamente a ele pelo cuidado e apoio que me ofereceu.
Uma sorte que tive, foi que no meu último dia de homestay, o pai da casa achou o número de uma jovem canadense que estava procurando pessoas com que dividir apartamento. No domingo fui visitar a casa e por sorte adorei. Ela é super agradável, divertida e receptiva, a casa é ótimo, com 2 andares, e vou ter direito a usar de tudo, como cozinha, televisão e Xbox (que até então nunca tinha jogado). Para melhorar ainda mais, a casa dela fica a 4 minutos da estação de metrô, o que é perfeito nesse longo período de inverno.
Quatro dias após ter chegado na casa de Aziz, me mudei novamente e agora estou na estação Woodbine. Meu amigo turco também se mudou para a casa de um primo e estávamos esperando 1 semana para ele poder vir para cá pois a casa tem 3 quartos e o outro quarto tem uma outra canadense morando aqui mas que vai se mudar em alguns dias.
Tenho adorado a casa e conviver com as meninas é ótimo. Damos muitas risadas e tenho praticado muito meu inglês que é justamente um dos meus principais objetivos por aqui. Ainda não tenho foto do pessoal porque não me sinto muito a vontade para isso ainda, mas, tenho a foto de um dos cachorros da casa e do "crazy bird" que vive conosco.
Essa semana estou me preparando para passar o reveillon em Montreal com meu amigo Gabriel. Tudo aqui tem sido muito corrido, o tempo passa muito depressa e sempre temos bilhões de coisas para fazer, ver e aproveitar.
Em breve conta mais sobre minha casa e minhas novas aventuras por Toronto.
See you home brazilians


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